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                    Crateras de Impacto do Brasil

     
                          
  Pesquisadores da UNICAMP identificam mais uma cratera de impacto, desta vez no Paraná. Batisada com o nome de VISTA ALEGRE, segundo o especialista Dr Alvaro Crósta, é uma das menores já descobertas no Brasil.
                                 
FONTE: AGÊNCIA FAPESP DE NOTÍCIAS - 10/05/2004
 


Crateras reveladas

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - O Brasil tem apenas cinco crateras que comprovadamente foram causadas por impactos de corpos celestes. Todas ganharam detalhamento científico nos últimos 30 anos. A mais nova da lista acaba de ser identificada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nomeada de Vista Alegre, está localizada no interior do Paraná.

"Iremos fazer a apresentação oficial da descoberta na reunião da Sociedade Meteorítica Internacional, em julho no Rio de Janeiro, a primeira vez que esse encontro será realizado na América do Sul", disse Alvaro Penteado Crósta, professor do Instituto de Geociências da Unicamp, à Agência FAPESP

A cratera descoberta tem 9,5 quilômetros de diâmetro. Em dimensão, ela é uma das menores encontradas no território nacional, maior apenas que a cratera Riachão, de 4,5 quilômetros de diâmetro, localizada no Maranhão. As três maiores da lista são a do Domo do Araguainha (40 km de diâmetro), na divisa de Mato Grosso e Goiás, a da Serra da Cangalha (12 km), em Tocantins, e a do Domo do Vargeão (12 km), em Santa Catarina.

A cratera catarinense, apesar de ser conhecida desde os anos 80, apenas em 2003 ganhou um estudo científico mais profundo, por parte da equipe da Unicamp. "O aumento dessas descobertas está relacionado também com o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas mais poderosas", explica o geólogo. A descoberta no Paraná, que pode ser uma espécie de cratera irmã da catarinense – elas estão a cerca de 100 quilômetros de distância uma da outra – ainda será estudada pelos geológos.

Segundo Crósta, a descoberta em Vista Alegre apenas foi possível por causa das imagens digitais geradas pela missão do ônibus espacial Endeavor, em 2000. "Em apenas dez dias, foi feito um grande mapeamento de quase toda a superfície da Terra", disse.

Mesmo com a Nasa, a agência espacial norte-americana, tendo liberado, por questão de segurança, imagens com resolução degradada e detalhamento três vezes inferior, foi possível identificar as novas feições geológicas no Brasil que estão relacionadas com o impacto de corpos celestes. "Isso porque eles usaram uma técnica muito moderna para captação das imagens, a interferometria", explicou o geólogo.

Com o avanço tecnológico de um lado e os olhos mais abertos de outro – a descoberta do Paraná ocorreu por causa de uma dica dada pelo engenheiro Osmar Kretschek, que entrou em contato com a Unicamp para relatar suas suspeitas – novas crateras serão descobertas nos próximos meses ou anos, acreditam os cientistas. "Em alguns locais, só mesmo com o auxílio de imagens de satélite. É o caso da Amazônia, por exemplo, onde a cobertura vegetal dificulta muito a identificação de novas feições", disse Crósta.

Além das crateras escondidas na superfície, o pesquisador da Unicamp explica que existem várias outras, como as que devem ter sido sedimentadas pela evolução geológica do tempo. "Estamos conversando com a Petrobras para ver se conseguimos desenvolver um modelo, baseado em processos sísmicos, de crateras sub-superficiais", disse. Além da revelação científica, essas novas expressões morfológicas poderão se mostrar economicamente importantes. "É bem provável que o petróleo ou gás formado em outras regiões tenham migrado para essas crateras submersas ficando aprisionados em espécies de bolsões."

Talvez mais pela falta de estudo do que por qualquer outro motivo, a América do Sul é, hoje, a região onde menos se tem a confirmação de crateras abertas por impactos de corpos celestes. Ao total são sete, contra 58 da América do Norte, 35 da Europa, 24 da Austrália, 27 da Ásia e 17 da África. A maior cratera do Brasil, a do Domo do Arauainha é a 16ª do mundo. No topo da lista mundial está a Vredefort, de 300 quilômetros de diâmetro, na África do Sul.

 

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